domingo, 16 de março de 2008

Sempre acreditei que seria feliz se caminhasse ao sabor do vento
Naquele passo tão meu...
Passo tão lento...
Aqui hoje e agora, revelou-se a tal mentira
A felicidade está no vento
Se não agarrares alguém nos tira
Eu apenas peguei-te
(enfim) usei-te
(bem...assim...) silenciei-te
Descarregando em mim a desculpa nunca aceite
Punida pela culpa, deixei de tentar ser feliz
Ou é apenas a desculpa, quando te olho quando sorris
Louca por momentos
Ciente apenas em fingimento
Ele diz e ainda diz:
"Escravatura de sentimento"

quarta-feira, 12 de março de 2008

A mentira

Mais uma vez chegando tarde a casa, e começo desde a porta do prédio a praticar a minha péssima habilidade, produzindo mentalmente os pormenores de cada mentira esfarrapada que poderá saltar-me da boca na hora “H” , a tal hora que eu tenho vindo a conhecer à algum tempo e com quem eu fui obrigada a criar uma certa cumplicidade.
“Boa sorte!”
Repito vezes sem conta antes de dar o subtil toque na campainha
“Pronto…”
Digo da boca para fora depois de ouvir o som que eu própria provoquei.
O meu corpo encontra-se completamente encharcado, não apenas por ter corrido como uma gazela na esperança de chegar menos tarde, mas também por estar a suar toneladas de medo, quilos de insegurança e gramas de culpa.
A porta abriu-se e é a mesma história de sempre, o pessoal cá de casa tem um enorme sentido de inovação, que é totalmente impossível descobrir a primeira frase com ponto de interrogação que eles fazem.
“Porquê que chegaste a estas horas ?”
Fico 100% intimidada, mais 100% atrapalhada e com os membros a tremer por completo, dou a tal “mentira esfarrapada”, em que cada palavra sai soluçada. É inevitável, fui denunciada ! A mentira não presta e a mentirosa muito menos.
Tento ter o comportamento mais normal e racional de sempre, então pego de novo nas minha trouxas que larguei ao tentar esconder o medo, e levo tudo para o quarto. Atiro a mala, juntamente com a raiva de mim própria para cima da cama, e logo de seguida atiro-me a mim também. Finjo estar extremamente cansada e ensonada. Fecho os olhos sem tirar uma peça de roupa e durmo assim mesmo, vestida, e mais uma vez comprometida com a mentira. Mas como o sono é tão fraco e tão fingido, em vez de adormecer, alastro mais um pouco as coisas na minha cabeça. De repente encolho os ombro e sai-me da boca um “quero lá saber…Mi !”. Como se tudo aquilo que aconteceu à cinco minutos atrás não fosse nada. Já era tudo tão habitual e tinha um ar tão familiar…
Mas agora penso, raciocino em condições e pergunto-me com franqueza: Esse tal “quero lá saber” significa que isto não voltará a acontecer, ou que vou voltar a repeti-lo quando quiser ???

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sábado, 1 de março de 2008

E lá vão as horas... voando
Lá vão os sete dias de pecado
Mas a vontade continua gritando
Pedindo mais um bocado

E lá vão os tempos... enfim
Lá vais tu e eu atrás
Mas o sentimento permanece assim
Insaciado. Incapaz.

Depois vem tudo de volta
é uma necessidade evidente
Tu melhor e eu solta
Amante e confidente