sábado, 20 de junho de 2009

Sabes, eu na verdade não te devo nenhuma explicação, não te devo palavras, justificações, não te devo nada. Seguimos este caminho porque assim o quisemos. Eu não te prendi, tu não me agarraste. Somos dois seres humanos livres que não devem nada um ao outro. Mas eu sei. Tu sabes, que essas (não) ditas palavras magoam. Elas ferem o próprio silêncio, encurralam-no, sufocam-no e caem os dois em conjunto. Elas fazem-me duvidar de ti e este sentimento que não se desfaz, que ameaça não ser capaz, faz-te duvidar de mim.
Apenas perguntaste, eu sei. Mas eu não te devo explicações, não te devo palavras nem justificações. Não te quis prender, não, gostei de te agarrar. Eu não te fiz nada. Eu não te devo nada… nada!
Exceptuando o meu coração, que também não te deve nada mas esse... quer dar-te tudo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Eu já te tinha dado como morto meu amor
Cheguei a decorar delicadamente a tua sepultura
Ofereci-lhe todas as minhas recordações, ofereci-lhe toda a minha dor
E contei-lhe bem baixinho os episódios da nossa aventura.
Eu só não sei como fui capaz de resistir
Vendo o meu peito verter tantas lágrimas de dor e amargura
A saudade castigando-me, prendendo-me, impedindo-me de sorrir
E o meu corpo suplicando sexo. Louco de desejo, louco de loucura.
Mas hoje meu amor, eu decidi que viverás
A pedido do sentimento que não quer e não se deixa corromper
Amanhã logo tratarei da tua sepultura, se realmente for capaz
Só preciso de abraçar a loucura de saber que amanhã (de novo) morrerás.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Corroios era o local onde todas as crianças tinham praticamente a mesma idade, a pequenada brincava toda junta sem aquele desconforto de um ser mais velho que o outro. Na escola é que encontrávamos o resto das crianças que não brincavam connosco e não eram da nossa rua, eles eram crescidos, se calhar já nem sabiam brincar como a pequenada da Rua Cidade de Setúbal.
Tinha um pensamento típico de criança, queria ter muitos bonecos mas, ao mesmo tempo, queria andar de sapatos de salto alto para sentir a sensação de ser maior, tinha sonhos para o futuro, e eram mesmo sonhos, completamente vindos do fantástico. Sempre com os olhos muito vivos, e o rosto engraçado em todos os momentos de infância. Irrequieta e atrevida, talvez sejam os adjectivos que mais me identificavam.
A vida para mim seria sempre igual, os vizinhos seriam os mesmos, os amigos da minha rua também, a escola primária não mudaria. Criança feliz, digo eu agora. Amigos, família e tudo o mais fizeram parte da construção dessa felicidade, ou olhando apenas para o olhar, podemos dizer que tudo é inesquecível!